NONO CONCEITO

Todos os elementos da nossa estrutura de serviço têm a responsabilidade de ponderar cuidadosamente todos os pontos de vista nos seus processos de tomada de decisão.

É fácil discutirmos assuntos com quem concorde connosco, mas, em recuperação, aprendemos que os nossos melhores pensamentos não dão necessariamente a melhor orientação possível. Ensinaram-nos que, antes de tomarmos decisões importantes, deveremos conferir as nossas opiniões com os outros. A nossa experiência mostrou-nos que as ideias daqueles que discordam connosco são, por vezes, aquelas que mais precisamos de ouvir. O Nono Conceito põe este aspecto da nossa recuperação em prática no ambiente de serviço. Ao tomarem uma decisão, os nossos grupos, comités e comissões de serviço deverão procurar activamente todos os pontos de vista disponíveis.
Uma consciência de grupo eficaz é uma consciência de grupo bem informada. O Nono Conceito é um instrumento que utilizamos para ajudar a assegurar que a nossa consciência de grupo seja o mais bem informada possível. Em qualquer discussão, somos por vezes tentados a ignorar as vozes discordantes, especialmente se a grande maioria dos membros for da mesma opinião. Mas é geralmente a voz isolada, contendo novas informações ou uma perspectiva diferente sobre o assunto, aquela que nos impede de tomarmos decisões precipitadas ou mal informadas. Em Narcóticos Anónimos, somos encorajados a respeitar essa voz isolada, a protegê-la e até mesmo a procurá-la, pois sem ela as nossas decisões de serviço iriam sem dúvida ressentir-se.
O Conceito Nove encoraja-nos também a, individualmente, expormos com franqueza as nossas opiniões em questões de serviço, mesmo quando a maioria dos outros membros pense de forma diferente. Não, este conceito não nos está a dizer para sermos sempre do contra, discordando de tudo o que seja aceite pela maioria. Está sim a dizer que somos responsáveis por partilhar os nossos pensamentos e a nossa consciência com outros membros, explicando cuidadosamente a nossa posição e escutando com igual cuidado as posições dos outros. Quando demonstramos a coragem necessária para exprimir a nossa opinião, enquanto respeitamos também a dos outros, podemos estar confiantes de que estamos a agir no melhor interesse da irmandade de NA. Ao insistirmos numa discussão aprofundada das questões importantes, o pior que podemos fazer é dispender um pouco do tempo de cada um; na melhor das hipóteses, estaremos assim a proteger a irmandade das consequências de uma decisão precipitada ou mal informada.
Quando um orgão de serviço se encontra em processo de tomar uma decisão, o Nono Conceito pode ser aplicado de diferentes formas. Se formos membros desse orgão de serviço, só precisamos de levantar o braço e falar. Se quisermos expor uma opinião mais elaborada, poderemos querer apresentá-la por escrito, para que os outros membros do comité ou comissão possam analisá-la com mais cuidado.
Se não pertencermos a esse orgão de serviço mas mesmo assim quisermos dizer algo acerca de um assunto de serviço, como membros de NA, existem vários caminhos que poderemos tomar para expor a nossa posição. Ao partilharmos as nossas opiniões numa reunião de serviço do nosso grupo, estamos a assegurar que as nossas ideias sejam incluídas na tomada de uma consciência de grupo que orientará o nosso RSG quando ele, ou ela, participar em discussões de serviço. Muitos comités ou comissões de serviço incluem, nas suas agendas, reuniões abertas, onde poderemos expor as nossas opiniões perante esse orgão. Os jornais ou boletins da irmandade, quer a nível local quer mundial, costumam abrir as suas páginas às opiniões de membros de NA sobre assuntos de serviço. Quer sejamos, ou não, membros de um orgão de serviço, existem diversas maneiras de aplicarmos pessoalmente o Nono Conceito.
O nosso processo de tomada de decisões não é perfeito. Muitos grupos, comités e comissões de serviço reconhecem isso, bem como o valor da posição das minorias, em todas as decisão que tomam. Sempre que uma moção é aprovada sem ser por unanimidade, estes orgãos de serviço muitas vezes pedem, àqueles que se opuseram à moção, que exponham as suas razões, oralmente ou por escrito. Se a decisão precisar de ser revista no futuro, essas opiniões minoritárias poderão ajudar a traçar uma nova direção de serviço.
O Conceito Nove encoraja-nos a continuar a consultar a consciência de grupo, até mesmo depois de a decisão já ter sido tomada. Caso venham a ser discutidas questões já decididas, o orgão irá ouvir o que haja para dizer. Pode ser que, baseado nestas discussões, um orgão de serviço altere a sua decisão anterior. Contudo, se uma decisão tomada for questionada, a sua discussão escutada com atenção e a decisão mesmo assim manter-se, será altura de todos a aceitarem e colaborarem, de coração aberto, na sua implementação. Um apoio indiferente ou uma resistência directa, a uma tal decisão seria contrário aos nossos princípios de entrega e aceitação. Uma vez tomada uma decisão, reconsiderada e confirmada, precisamos de respeitá-la e continuar a servir a nossa irmandade.
A expressão da consciência individual no grupo é a base da consciência de grupo. Sem ela estaremos a bloquear a orientação de um Deus amantíssimo, que é a nossa autoridade final. Quando uma posição apoiada por muitos de nós é contestada por uma minoria, os nossos comités e comissões de serviço deverão sempre tratar tais opiniões com grande respeito e atenção cuidada. A informação e as opiniões dadas pela minoria poderão impedir-nos de cometer erros graves; poderão até guiar-nos em direção a horizontes de serviço novos e nunca antes imaginados, onde possamos cumprir o propósito primordial da nossa irmandade mais eficazmente que nunca. Para bem dos membros vindouros, os nossos grupos, comités e comissões de serviço deverão considerar sempre com cuidado todas as opiniões no seu processo de tomada de decisões.