SEXTO CONCEITO

A consciência de grupo constitui o processo espiritual através do qual convidamos um Deus amantíssimo a influenciar as nossas decisões.

A consciência é uma faculdade essencialmente espiritual. É o nosso sentido inato do certo e do errado, uma bússola interior que cada um de nós pode consultar nas nossas reflexões pessoais acerca do melhor caminho a tomar. O nosso Texto Básico refere-se à consciência como uma dessas "funções mentais e emocionais mais elevadas", que foi "fortemente afectada pelo nosso uso de drogas". Ao aplicarmos os nossos passos, procuramos revivê-la e aprender a exercitá-la. À medida que aplicamos consistentemente princípios espirituais nas nossas vidas, as nossas decisões e acções tornam-se cada vez menos motivadas pelo interesse pessoal e mais por aquilo que a nossa consciência nos diz ser bom e correcto.
Quando adictos, cujas consciências individuais foram despertadas à medida em que praticaram os passos, se juntam para considerarem questões relacionadas com serviço, seja no seu grupo de NA ou numa reunião de comissão de serviço, eles estão preparados para tomar parte no desenvolvimento de uma consciência de grupo. O exercício dessa consciência é o acto através do qual os nossos membros levam o despertar espiritual dos Doze Passos para contribuir directamente para a resolução de questões que afectam NA. Como tal, é um assunto que deverá merecer a nossa melhor atenção.
O desenvolvimento de uma consciência de grupo constitui uma parte indispensável do processo de tomada de decisões em Narcóticos Anónimos; contudo, ela não é, por si própria, um mecanismo de tomada de decisões. A fim de se clarificar a diferença entre os dois, será melhor olharmos para as nossas vidas pessoais. Aqueles que vivem vidas orientadas espiritualmente costumam rezar e meditar antes de tomarem grandes decisões. Primeiro olhamos para a nossa fonte de força espiritual e sabedoria; depois olhamos em frente e traçamos então o nosso curso. Se dissermos automaticamente que é Deus quem nos guia sempre que tomamos uma decisão, quer tenhamos ou não convidado, de facto, Deus a influenciar-nos antes de tomarmos essa decisão, estaremos apenas a enganarmo-nos a nós próprios. O mesmo se aplica à consciência de grupo e à tomada colectiva de decisões.
O desenvolvimento de uma consciência colectiva providencia-nos a orientação espiritual de que precisamos para a tomada de decisões de serviço. Rezamos ou meditamos juntos, partilhamos uns com os outros, levamos em consideração as nossas Tradições e procuramos a orientação de um Poder Superior. Os nossos grupos, comités ou comissões de serviço, costumam utilizar o voto como meio rudimentar de traduzir essa orientação espiritual em termos claros e decisivos. No entanto, ás vezes, não é necessário qualquer voto; após uma discussão compenetrada e atenta, torna-se perfeitamente evidente qual o caminho que a nossa consciência colectiva nos indicaria numa determinada situação de serviço. Tal como em Narcóticos Anónimos procuramos a mais forte unidade espiritual possível, também na nossa tomada de decisões procuramos a unanimidade e não apenas um voto da maioria. Quanto mais cuidado pusermos nas nossas considerações, mais provável será chegarmos a um consenso e não será necessário qualquer votação para nos ajudar a traduzir a nossa consciência de grupo numa decisão colectiva.
Ao tomarmos decisões específicas de serviço, a votação ou o consenso podem ser a medida da nossa consciência de grupo. Contudo, a consciência de grupo pode ser vista em todos os assuntos da nossa irmandade e não apenas no nosso processo de tomada de decisões. O processo de inventariação do grupo constitui um bom exemplo disso. Quando membros de um grupo de NA se juntam para examinarem a eficácia do seu grupo no cumprimento do seu propósito primordial, cada um deles consulta a sua própria consciência no respeitante ao seu papel individual na vida do grupo. As preocupações do grupo no seu todo são estudadas sob a mesma luz. Essa inventariação poderá não produzir quaisquer decisões específicas de serviço. No entanto, irá produzir, entre os membros do grupo, uma elevada sensibilização espiritual, tanto para as necessidades do adicto que ainda sofre, como para as necessidades dos outros membros do grupo.
Um outro exemplo do desenvolvimento da consciência de grupo sem que se produza uma decisão relacionada com serviço e com o qual cada um de nós poderá identificar-se, encontramo-lo todos os dias nas nossas reuniões de recuperação. Muitos são os momentos em que vamos a uma reunião de NA com um problema pessoal, em busca de conforto, apoio e orientação na experiência de outros adictos em recuperação. Os nossos membros, cada um com a sua personalidade, a sua experiência e as suas necessidades, falam uns com os outros - e connosco - do despertar espiritual que encontraram na aplicação dos Doze Passos nas suas vidas. A partir da diversidade do grupo, revela-se uma mensagem comum, uma mensagem que podemos aplicar nas nossas próprias vidas: a mensagem de recuperação. Nesta mensagem encontramos "o valor terapêutico de um adicto a ajudar outro" e também a consciência de grupo, aplicada, não a uma questão de serviço, mas ao nosso próprio crescimento espiritual.
A consciência de grupo constitui o meio através do qual convidamos, colectivamente, a contínua orientação de um Poder Superior na tomada de decisões. Aplicamos o Sexto Conceito quando prosseguimos com vigor a nossa própria recuperação pessoal, procurando esse contínuo despertar espiritual que torna possível a aplicação dos princípios do programa em todas as áreas das nossas vidas, incluindo nos nossos assuntos de serviço. Aplicamos o Sexto Conceito quando escutamos não só as palavras ditas pelos nossos companheiros, como também o espírito por detrás dessas palavras. Aplicamos o Sexto Conceito quando procuramos fazer a vontade de Deus, e não a nossa, e servir os outros, e não a nós, nas nossas decisões de serviço. Aplicamos o Sexto Conceito nos nossos grupos, comissões e comités de serviço, quando convidamos um Deus amantíssimo a influenciar-nos antes de tomarmos decisões relacionadas com serviço.