NARCÓTICOS ANÓNIMOS
Região Portuguesa

Quadro de Custódios do Serviço Mundial Boletim no 29

Relativo ao uso de Metadona e Outros Programas de Substituição de Drogas

Este boletim foi escrito pelo Quadro de Custódios do Serviço Mundial em 1996. Representa o seu ponto de vista à época em que foi escrito.

Nem todos chegamos à nossa primeira reunião de NA livres das drogas. Alguns de nós não tínhamos certeza se a recuperação era possível e, inicialmente, fomos às reuniões enquanto ainda usávamos. Outros chegaram à sua primeira reunião, enquanto estavam em programas de substituição de drogas, como a metadona, e acharam assustador considerar ficar abstinente.

Uma das primeiras coisas que ouvimos foi que o NA é um programa de completa abstinência e "o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar". Ao ouvirmos tais afirmações, é possível que alguns de nós tenhamos sentido que não éramos bem-vindos às reuniões de NA, enquanto não estivéssemos limpos. Mas os membros de NA nos garantiram que este não era o caso e fomos encorajados a "continuar voltando". Nos disseram que escutando a experiência, força e esperança de outros adictos em recuperação, também poderíamos nos libertar da adicção activa, se fizéssemos o que eles fizeram.

Muitos de nossos membros, entretanto, expressaram preocupação em relação aos indivíduos em programas de substituição de drogas. Surgiram questões relativas à condição de membro de tais indivíduos, capacidade de partilhar nas reuniões ou de liderá-las, ou de se tornarem servidores de confiança em qualquer nível. "Estes membros estão limpos?", perguntam. "Alguém pode ser um 'membro' de verdade e continuar usando?"

Talvez possamos estabelecer um contexto por meio do qual abordar esta questão, respondendo primeiro a pergunta mais importante: a questão da filiação. A Terceira Tradição diz que o único requisito para se tornar membro de NA é o desejo de parar de usar. Não há excepções a isso. O desejo em si estabelece a condição de membro; nenhuma outra coisa importa, nem mesmo a abstinência. Depende do indivíduo, e de mais ninguém, determinar se é membro. Logo, alguém que está usando e que tem o desejo de parar de usar, pode ser um membro de NA.

Os membros que estão em programas de substituição de drogas, tais como a metadona, são encorajados a comparecer às reuniões de NA. Mas isso coloca a questão: o NA tem o direito de limitar a participação dos membros nas reuniões? Acreditamos que sim. Enquanto alguns grupos escolhem permitir que tais membros partilhem, também é uma prática comum em grupos de NA encorajar esses membros (ou qualquer outro adicto que ainda está usando) a participar somente ouvindo e conversando com outros membros depois da reunião ou durante o intervalo. Não existe nisso uma intenção de alienar ou causar embaraços; apenas a de preservar uma atmosfera de recuperação em nossas reuniões.

Nossa Quinta Tradição define o propósito de nossos grupos: levar a mensagem que qualquer adicto pode parar de usar e encontrar uma nova maneira de viver. Levamos esta mensagem às nossas reuniões de recuperação, onde aqueles que têm alguma experiência com a recuperação de NA poderão partilhá-la, e aqueles que precisam ouvir sobre a recuperação de NA poderão escutá-la. A nossa experiência mostra que, quando um indivíduo sob influência de drogas tenta falar de recuperação em Narcóticos Anónimos, uma mensagem misturada ou confusa poderá ser passada para o recém-chegado (ou para qualquer membro, no que diz respeito a isso). Por essa razão, muitos grupos acreditam que não é adequado a estes membros partilhar nas reuniões de Narcóticos Anónimos.

Pode-se argumentar que a autonomia dos grupos, como descrita na nossa Quarta Tradição, lhes permite decidir quem pode ou não partilhar nas suas reuniões. Porém, ao mesmo tempo que isso é verdade, acreditamos que a autonomia de grupo não justifica permitir que alguém que esteja usando lidere uma reunião, seja um orador ou preste serviço como servidor de confiança. A autonomia de grupo tem efeito apenas enquanto não afecta outros grupos ou NA como um todo. Acreditamos que ela afecta outros grupos e NA como um todo quando permitimos que membros que não estão limpos sejam oradores, coordenem uma reunião ou sejam servidores de confiança de NA.

Muitos grupos desenvolveram directrizes para garantir que uma atmosfera de recuperação seja mantida em suas reuniões. Em geral, os seguintes pontos são incluídos:

a) Sugerir que aqueles que usaram qualquer droga nas últimas 24 horas se abstenham de partilhar, mas encorajá-los a se reunirem com outros membros durante o intervalo ou após a reunião.

b) Obedecer os requisitos de tempo limpo sugeridos pela irmandade para os encargos de serviço.

c) Buscar coordenadores, oradores ou líderes de reuniões que ajudam a promover o nosso propósito primordial de levar a mensagem ao adicto que ainda sofre.

Fazemos uma distinção entre drogas usadas por programas de substituição de drogas e outras drogas prescritas, porque tais drogas são prescritas especificamente como tratamento da adicção. Nosso programa aborda a recuperação da adicção por meio da abstinência, alertando contra a substituição de uma droga por outra. Este é o nosso programa; é o que oferecemos ao adicto que ainda sofre. Contudo, não temos absolutamente nenhuma opinião sobre a manutenção da metadona ou qualquer outro programa cujo objectivo é o tratamento da adicção. Nosso único propósito ao abordarmos a questão da substituição de drogas e seu uso por nossos membros é definir abstinência para nós mesmos.

Nossa irmandade deve estar atenta para que tipo de mensagem estamos levando, se um adicto que ainda usa lidera uma reunião ou se torna um servidor de confiança. Acreditamos que sob essas circunstâncias não estaríamos levando a mensagem de recuperação de Narcóticos Anónimos. Permissividade nesta área não é condizente com nossas tradições. Acreditamos que nossa posição sobre esta questão reforça nossa recuperação, protege nossas reuniões e apoia os adictos que lutam por uma abstinência total.

Nota: Este boletim aborda a questão da manutenção do uso da metadona como estratégia de substituição de drogas. Não aborda o uso medicinal da metadona como analgésico para dor. Encorajamos aqueles que têm dúvidas quanto ao uso da metadona para o controle da dor a consultarem o folheto: Em Tempos de Doença.

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