NARCÓTICOS ANÓNIMOS
Região Portuguesa

Quadro de Custódios do Serviço Mundial Boletim no 28

LIVRE DE PRECONCEITOS III

Este artigo foi elaborado pelo Quadro de Custódios do Serviço Mundial, em Abril de 1993, em resposta às necessidades da irmandade. Representa a visão deste quadro à época em que foi escrito.

Mais do que nunca, o Quadro de Custódios do Serviço Mundial tem recebido solicitações para que se comente a questão do preconceito dentro de NA. Para nós, seria fácil simplesmente escrever: Preconceito é errado! Livremo-nos dele! Porém acreditamos que não existe solução imposta. Somente nós, membros individuais de Narcóticos Anónimos, podemos resolver esse problema. A cada um de nós se apresenta o desafio de praticar mais inteiramente os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos e nas Doze Tradições. Cada um de nós é responsável por levar a mensagem de NA, independente de idade, raça, identidade sexual, crença, religião ou falta de religião (Livrete Branco, revisado, pag.2).

A maioria de nós sentiu a dor do preconceito em diferentes momentos das nossas vidas. Mesmo assim, frequentemente nos enganamos, acreditando que pessoalmente somos livres de todo preconceito. Este tipo de negação permite-nos julgar a qualidade da recuperação ou do padrinho de outro membro, sintonizar quando certos companheiros partilham ou evitar determinadas pessoas ou grupo de pessoas. Talvez façamos comentários maliciosos ou irónicos a respeito da raça, preferência sexual, idade, sexo, aspecto físico, cultura ou crenças espirituais de alguém. Talvez evitemos companheiros que estejam fisicamente enfermos ou tomando medicação prescrita. Subtis ou gritantes, todas as formas de preconceito prejudicam nossa unidade e nos impedem de cumprir nosso propósito primordial.

Não conseguimos e não nos recuperamos sozinhos. Alguns membros podem se lembrar de terem sido mal recebidos em outras irmandades. Alguns de nós se lembram de estarem sentados sozinhos, com um Livrete Branco na mão, esperando que outro adicto aparecesse, pois qualquer adicto era extremamente bem-vindo. À medida que fomos prosperando, ficando cheios de escolhas sobre onde nos recuperar e com quem, permitimos que o defeito do preconceito se instalasse e, o que é mais triste, vivesse em nossos corações.

Podemos entrar pelas portas de NA com os defeitos de carácter que provocam atitudes de hostilidade em relação aos outros. Mas com o tempo estes defeitos tornam a recuperação difícil, se não impossível. Como um defeito, o preconceito partilha da nossa doença. Ele se baseia no medo, egocentrismo, desconfiança e intolerância. Essas características representam a nossa doença, não o processo espiritual de recuperação em NA. Nosso programa é levado de um adicto para outro, independente de qualquer coisa, a não ser do desejo de recuperação da nossa doença.

Apesar do espírito de Narcóticos Anónimos não ter uma definição concreta, parece englobar tolerância, aceitação, amor, gratidão e doação. Se pudermos alcançar e manter esse espírito, floresceremos. Nossa literatura diz que existem três elementos essenciais à nossa recuperação. Um deles é a mente aberta. Não podemos ter quaisquer restrições a respeito de manter o defeito de carácter do preconceito, que separa, divide, isola e pode vir a nos destruir como irmandade. Não podemos nos deixar iludir pela subtileza da nossa doença, que fecha a nossa mente e nos leva a pensar que um adicto é diferente do outro. Temos que nos render diante deste aspecto da nossa doença e deixar que um Deus amoroso nos fortaleça como irmandade, permitindo que continuemos focalizados em nossos esforços pelo propósito primordial.

Nossa mensagem diz que qualquer adicto em busca de recuperação pode parar de usar, perder o desejo de usar e encontrar uma nova maneira de viver. A nossa é uma mensagem de esperança e liberdade. Deixemos que esta mensagem seja o nosso laço comum. É para este caminho de recuperação em NA que dirigimos nossa atenção e esforço, em direcção às mudanças que precisam ocorrer dentro de nós, para que se produzam os milagres da recuperação.

Precisamos encarar a nossa diversidade como a força que permite a cada um de nós dizer verdadeiramente, "qualquer adicto em busca de recuperação". Porque encaramos esta diversidade como uma riqueza de cor, raça, sexo, cultura e crença, damos as boas vindas a todos os adictos do fundo do coração. Tolerar não é o suficiente; recebemos de braços abertos. Aceitar não é suficiente; nós damos. Não precisamos ter medo uns dos outros; nós amamos. Com estes princípios podemos parar a destruição da nossa doença, ter nossa intolerância, medo e egocentrismos removidos e fazermos juntos o que não conseguimos fazer sozinhos.

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