NARCÓTICOS ANÓNIMOS
Região Portuguesa

Quadro de Custódios do Serviço Mundial, Boletim no 25

Boletim de NA de Serviço de Informação ao Público

O que segue não é uma declaração de directrizes do Quadro de Custódios do Serviço Mundial (WSB). Sua intenção é meramente a de estimular a reflexão e discussão sobre a importância de nossas relações públicas e seus efeitos sobre Narcóticos Anónimos.- Comité de Assuntos Externos do WSB

Relações Públicas e As Tradições


Sabemos como são importantes as relações uns com os outros em NA, porque precisamos uns dos outros para continuar com nossa recuperação da adicção. Mas, embora os grupos sejam autónomos, nossa irmandade precisa mais do que somente do apoio de nossos próprios membros. Nossas relações com a comunidade também contribuem para o crescimento e sobrevivência da irmandade. E é disso que este boletim trata: os princípios por detrás das políticas de relações públicas de NA. Primeiramente veremos duas razões por que nossa irmandade busca boas relações com a comunidade. Em seguida veremos o que as tradições de NA nos dizem sobre nossas actividades de relações públicas.

Relações com a comunidade - importância prática

Assume-se em NA que, como adictos em recuperação, temos de compartilhar nossa recuperação com os outros para permanecermos limpos. O mesmo se aplica a nossos grupos. Sem os recém-chegados, a pessoa mais importante está ausente das nossas reuniões. Narcóticos Anónimos preserva sua vitalidade cumprindo seu propósito primordial: levar a mensagem ao adicto que ainda sofre.

O que isso tem a ver com as nossas relações públicas? Simples. NA não pode ajudar os adictos, se eles nunca ouvem falar de nós ou se nossa reputação é tal que eles são aconselhados a se manter longe de nós. É verdade, NA alcançará alguns adictos directamente, com ou sem boas relações comunitárias. Nossos membros convidarão amigos, pessoas da família e companheiros de trabalho que buscam recuperação para as nossas reuniões. Outros adictos ouvirão falar de nós em apresentações de HI; se eles precisam de ajuda, saberão a quem chamar.

A grande maioria dos adictos que ainda sofre, entretanto, deve ser alcançada indirectamente, através de outras pessoas da comunidade. A maioria dos adictos ficarão sabendo de nós por intermédio de notícias e publicações na mídia, através de citações profissionais ou de indicações fornecidas por membros da comunidade em geral - ou absolutamente não ouvirão falar de nós. Para cumprir nosso propósito primordial, precisaremos buscar boas e cooperativas relações com a comunidade à nossa volta. Não podemos cumprir sozinhos esse propósito.

Relações com a comunidade - um caminho espiritual


No trabalho de informação ao público de NA, afirmamos que somos "uma parte", não "à parte" da comunidade que nos cerca. Não podemos desempenhar nosso papel na realização do propósito primordial da nossa irmandade baseando-nos apenas em nossos próprios recursos. E as acções que realizamos para cumprir nosso propósito primordial afectam a nossa comunidade, não apenas a nossa irmandade. Nosso grupo, nosso subcomité de IP, nosso comité de serviço de área, nossa região e nossos serviços mundiais são apenas partes de um empenho muito maior - a sociedade humana.

Se humildade significa enxergar a si mesmo numa perspectiva espiritual apropriada, então nossas relações comunitárias são um indicador chave da condição espiritual da nossa irmandade. O trabalho de relações públicas nos oferece, como uma irmandade, uma oportunidade de melhorar nossa condição espiritual. Primeiro, IP pode ajudar nossa irmandade a permanecer instrutiva. Como uma sociedade espiritual, como um programa de recuperação e como um movimento social, Narcóticos Anónimos pode aprender muito com a sociedade à nossa volta. Outros fizeram muito dos mesmos tipos de coisas que buscamos fazer. Podemos aprender com eles.

Humildade também significa reconhecer nossas limitações. Não temos todas as respostas para cada pessoa com problema em nossa comunidade; não temos nem todas as respostas para cada drogadicto em nossa comunidade. Em Narcóticos Anónimos, cada adicto compartilha sua experiência, força e esperança uns com os outros. Alguns dos problemas relacionados à adicção não podem ser satisfatoriamente abordados dessa maneira e requerem ajuda externa.

NA é apenas uma ferramenta para abordar a adicção, não a única. Em muitas comunidades, uma variedade de organizações oferece ajuda para adictos em busca de recuperação. Algumas delas fazem isso com muita eficiência. Seja por que razão for, alguns adictos poderão encontrar recuperação mais prontamente por intermédio desses programas do que através de Narcóticos Anónimos. Não pretendemos ter o monopólio do mercado de recuperação. Se outros podem oferecer ajuda onde nós não podemos, então que tenham mais poder.

Humildade significa reconhecer o lugar que ocupamos na nossa comunidade. Temos um papel particular a desempenhar, um papel muito útil, aliás. Nosso papel é diferente de outros. Não é necessariamente melhor ou pior do que o desempenhado por outros que focalizam na adicção e na recuperação - é apenas diferente. Nossas relações públicas e nosso propósito primordial serão melhor servidos se ocuparmos nosso lugar na comunidade com vida e espírito, fazendo o melhor que podemos.

Tendo considerado alguns dos assuntos básicos relacionados com o trabalho de informação ao público, é hora de darmos uma olhada na orientação específica que nossas Doze Tradições fornecem para as relações de NA com a comunidade. Consideraremos nossa política de relações públicas baseada em "atracção, não em promoção". Veremos para o que estamos atraindo as pessoas e quem estamos tentando atrair. Reflectiremos sobre como NA se relaciona com outras organizações na comunidade. Por fim tocaremos brevemente no assunto do uso de centros de serviço para organizar e administrar nossos esforços de relações públicas.

Atracção


Nossa Décima-Primeira Tradição nos diz que " As nossas relações com o público baseiam-se na atracção em vez de na promoção". Um dos princípios espirituais subjacente a este tipo de política de relações públicas é a humildade. Quando compartilhamos nossa mensagem em público, nós falamos de modo simples e directo, em vez de fazer alegações exageradas sobre Narcóticos Anónimos. Obtivemos o que nossos membros sentem que é um sucesso significativo, mas não alegamos que temos um programa que funcionará para todos os adictos sob todas as circunstâncias ou perspectivas terapêuticas que deveriam ser universalmente adoptadas. Tudo que dizemos é que, se alguém na comunidade tem um problema com drogas, Narcóticos Anónimos poderá ser capaz de ajudar. Temos ajudado muitos adictos a pararem de usar, perderem o desejo de usar e encontrarem um lugar saudável e produtivo na sociedade. Não precisamos alegar nada mais que isso para atrair o adicto que ainda sofre às nossa reuniões e obter a boa vontade daqueles na comunidade que poderiam encaminhar adictos até nós. Deveria ser enfatizado, no entanto, que "atracção em vez de na promoção" não significa que não fazemos nada para nos tornarmos conhecidos na comunidade. Não é apenas um direito, mas encorajamos, que se faça com que a palavra da existência e utilidade de NA se exteriorize e se espalhe. Não andamos por aí fazendo alegações grandiosas e extravagantes sobre nós mesmos ou depreciando o trabalho dos outros. Mas também não somos uma sociedade secreta. Narcóticos Anónimos acredita em anonimato pessoal, não em anonimato a nível de irmandade.

A Décima-Primeira Tradição explicita em detalhes apenas uma restrição às relações públicas: "na imprensa, na rádio e na televisão cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal". Desencorajamos o uso, na mídia pública, de fotografias mostrando o rosto inteiro de membros de NA ou de histórias que identifiquem membros de NA pelo nome. Fazemos isso por duas razões. Primeiro, precisamos ser capazes de assegurar aos recém-chegados que suas identidades como membros de NA permanecerão confidenciais. Segundo, queremos manter a mídia pública focalizada na credibilidade de NA, não na credibilidade de pessoas que levam a mensagem.

A necessidade de manter o anonimato pessoal na mídia pública não proíbe a utilização de porta-vozes. No entanto, esses porta-vozes deveriam aparecer não como membros de NA, mas como trabalhadores especializados cuja função é falar pela organização, ou como amigos não adictos da irmandade. Mais será dito mais adiante a respeito de trabalhadores especializados, centros de serviço e seus papeis nas relações públicas de NA.

A Décima-Primeira Tradição focaliza na necessidade de manter o anonimato pessoal apenas na mídia pública. A outros níveis, o anonimato pessoal é uma questão de escolha de cada um. Quando conhecemos alguém com um problema de drogas, poderemos vir a abrir para ele nossa identidade como adictos em recuperação e como membros de NA, se achamos que fazer isso poderá ser útil. Da mesma forma, os membros que fazem apresentações de IP em eventos da comunidade, compartilhando sua experiência pessoal de recuperação tanto quanto fornecendo informações gerais a respeito do programa de NA, não comprometem a Décima-Primeira Tradição. Contanto que mantenhamos o nosso anónimato pessoal na mídia pública, estamos apoiando a Décima-Primeira Tradição.

Levando a mensagem


Por que divulgamos o programa de NA? "Cada é animado de um único propósito primordial", afirma a nossa Quinta Tradição, "levar a mensagem ao adicto que ainda sofre". Mas como podemos julgar a utilidade de um projecto de serviço? Considerando a extensão em que ele ajudará nossos grupos a cumprirem seu propósito primordial. A principal tarefa de IP é a de atrair adictos às reuniões dos grupos. Como o Texto Básico nos lembra, "o grupo é o veículo mais poderoso que temos para levar a mensagem". (Texto Básico, pg. 73.)

Mas que mensagem? É importante que os membros da subcomissão de informação pública sejam muito claros sobre esta questão, de modo que não passem para a comunidade impressões inexactas sobre nossa irmandade. Nossa Terceira Tradição diz que "o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar". Em Narcóticos Anónimos, isto quer claramente dizer, "parar de usar drogas" -- não de comer, ou jogar ou praticar crimes ou buscar sexo, compulsivamente. O Texto Básico vai ainda mais longe: "A mensagem é que um adicto, qualquer adicto, pode parar de usar drogas, perder o desejo de usar e encontrar uma nova maneira de viver... é tudo o que temos para dar." (Texto Básico, pg. 73.)

Algo mais precisa ser considerado quando falamos a respeito das Terceira e Quinta Tradições e das nossas relações comunitárias. O propósito primordial da nossa irmandade é "levar a mensagem ao adicto que ainda sofre" - e isto significa qualquer adicto que ainda está sofrendo. Nossa Terceira Tradição encoraja a total ausência de restrições, excepto uma, para se tornar membro. Muitas áreas de NA começam com grupos que se formaram entre adictos que descendem das mesmas condições sociais, económicas, raciais, étnicas ou culturais. Não há nada de errado com isso, contanto que NA cresça para atingir adictos vindos de todas as condições. É importante que nossas subcomissões de informação pública se disponham a estudar suas comunidades cuidadosamente. Desse modo, descobrirão a total gama de necessidades que Narcóticos Anónimos tem a oferecer. No processo, eles também aprenderão como divulgar efectivamente a solução de NA para a adicção, para toda a comunidade.

Relações com outros


Nossos amigos não adictos têm servido como um meio para iniciar Narcóticos Anónimos em muitas comunidades e de ajuda para o seu crescimento. Como já vimos, Narcóticos Anónimos não poderia realmente cumprir seu propósito primordial sem a cooperação dos outros. Entretanto, temos de facto certas tradições orientando nossas relações com outras organizações, entre elas a Sexta, Sétima e Décima Tradições:

"Um grupo de NA nunca deverá apoiar, financiar ou ceder o nome de NA a qualquer empreendimento afim ou alheio à Irmandade, para que os problemas de dinheiro, propriedade ou prestígio nos afastem do nosso propósito primordial."

"Todo grupo de NA deverá ser absolutamente auto-suficiente, recusando quaisquer doações de fora."

"Narcóticos Anónimos não tem opinião sobre questões alheias; o nome de NA nunca deverá assim aparecer em controvérsias públicas."

Buscamos prover informação útil sobre o programa de NA para outros em nossa comunidade. Como membros da comunidade, buscamos cooperar ao máximo com os outros. Ao mesmo tempo, mantemos uma clara distinção entre NA e outras organizações. Nem apoiamos nem nos opomos ao trabalho delas. Não provemos recursos para o seu trabalho e não aceitamos recursos de fora para nossas próprias actividades. NA tem um lugar na comunidade, e é sua responsabilidade manter esse lugar.

Os empreendimentos de relações públicas de uma área devem ser sustentados inteiramente por seus membros e grupos através do seu comité de serviço de área. Empresas locais, agências do governo ou organizações civis poderão aprovar de forma tão entusiástica o que fazemos, que oferecerão recursos de divulgação para nos ajudarem a levar a mensagem. As subcomissões de informação pública são encorajadas a declinar este tipo de ajuda, apesar de bem-intencionado. Narcóticos Anónimos precisa pagar seu próprio caminho.

Entretanto, deve-se mencionar que respostas às perguntas sobre ser auto-suficiente nem sempre são preto no branco. Um anúncio de linha de ajuda no jornal local, onde se lê "patrocinado por John Doe Chevrolet", denotaria claramente uma contribuição de fora. No entanto, a maioria das estações de TV e rádio americanas fornecem uma certa quantidade de tempo livre público para organizações de utilidade pública. Algumas companhias de transporte oferecem taxas reduzidas de propaganda em seus veículos, para empreendimentos sem fins lucrativos. Por um lado, estes poderiam ser considerados "contribuições de fora". Por outro lado, não aceitá-las seria o mesmo que se recusar a dirigir em rodovias financiadas com verbas públicas, enquanto atende a um chamado de Décimo-Segundo Passo.

Existe uma última questão que se deve ter em mente ao considerarmos nossas relações com outras organizações. Visando manter seu foco, Narcóticos Anónimos estabeleceu uma tradição de neutralidade quanto a questões públicas. Como uma organização, não assumimos posições em relação a nada de fora da nossa esfera específica de actividade. Narcóticos Anónimos não emite opiniões, quer contra quer a favor, a respeito de questões civis, sociais, médicas, legais ou religiosas. Nem mesmo assumimos uma postura em relação a questões secundárias relacionadas com a adicção, tais como criminalidade, aplicação da lei, legalização ou punição relacionada com as drogas, infecção por HIV ou programas gratuitos de distribuição de seringas. Acreditamos que é de nossa única alçada fornecermos um lugar onde adictos que sofrem podem se identificar com outros semelhantes a eles, que experimentaram substancial recuperação da adicção. Permanecendo livres da agitação gerada pela controvérsia, focalizamos nossa energia naquilo que fazemos melhor, e apenas nisso.

Centros de serviço comunitário


O trabalho de informação pública requer atenção detalhada, cuidadosa manutenção de arquivos e procedimentos consistentes. A administração responsável dos assuntos de IP pode demandar uma grande parcela de tempo - talvez mais tempo que os voluntários da subcomissão têm disponível. Para ajudar na administração dos serviços de IP, algumas áreas e regiões criaram centros de serviço, suplementados por trabalhadores especiais.

"Narcóticos Anónimos deverá manter-se sempre não profissional, diz a nossa Oitava Tradição, "mas nossos centros de serviços podem contratar trabalhadores especializados." Não temos conselheiros pagos nas reuniões dos grupos. A recuperação é gratuitamente compartilhada, de adicto para adicto. A informação ao público, entretanto, não é em geral o tipo de compartilha pessoal de adicto para adicto, a que se refere a primeira parte da Oitava Tradição. Nosso objectivo é fornecer serviço consistente e responsável, de maneira que tantos adictos quanto for possível possam encontrar seu caminho para as nossas reuniões. Se sua área necessita de ajuda adicional para fazer isso, um centro de serviço poderá prover esta ajuda. Para informações sobre os aspectos práticos para se abrir e operar um centro de serviço comunitário, entre em contacto com o Escritório Mundial de Serviço.

Boas relações comunitárias são vitais para o cumprimento do propósito primordial de NA. Sem a ajuda de outros em nossa comunidade, muitos adictos nunca ouvirão falar de Narcóticos Anónimos. Temos uma responsabilidade de manter nossas relações com a comunidade, de modo que nossa mensagem seja levada o mais amplamente possível, e de maneira que, por sua vez, nós sirvamos à nossa comunidade tão eficazmente quanto possível. Para o próprio bem-estar da nossa irmandade, precisamos aprender o máximo que podemos com outras organizações em nossa comunidade e humildemente reconhecer nosso lugar dentro dela. Nós, em Narcóticos Anónimos, somos "uma parte" e não "à parte" da comunidade maior que nos cerca. As Doze Tradições fornecem orientação específica para nossas actividades de relações públicas. Mas sem o humilde desejo de servir aos nossos companheiros adictos, não teremos nenhuma mensagem a levar e nenhuma irmandade para divulgar.

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