NARCÓTICOS ANÓNIMOS
Região Portuguesa

Quadro de Custódios do Serviço Mundial Boletim no 22

CONTRIBUIÇÕES DIRECTAS

Na Conferência de Serviço Mundial (WSC) de 1991, uma série de moções foram encaminhadas para recomendação ao Quadro de Custódios do Serviço Mundial. Entre elas havia duas moções relacionadas com o suporte financeiro directo dos serviços de NA pelos grupos de NA:

"Que a WSC encoraje o suporte financeiro de todos os níveis de serviço, através das contribuições directas dos grupos."
"Que a WSC crie um fundo de traduções para o qual apenas os grupos e indivíduos possam fazer doações directas.

1. O fundo a ser administrado pelo WSO (Escritório de Serviço Mundial).
2. Prioridades de traduções a serem determinadas pelo Comité de Traduções."

O que vem em seguida é um artigo produzido pelo Quadro de Custódios do Serviço Mundial em resposta a estas moções. Este artigo foi revisto durante o ano de conferência 1995-1996.


Acreditamos que existam razões válidas para encorajar activamente a discussão a respeito das contribuições directas dos grupos dentro da nossa irmandade. Acreditamos que outras discussões poderão revelar que um plano de contribuição directa dos grupos talvez seja mais oportuno do que o plano de "fluxo de recursos", relativo ao fornecimento de recursos adequados a cada nível da nossa estrutura de serviço, enquanto ao mesmo tempo mantém a autonomia dos grupos, reforça a responsabilidade e autoridade dos grupos de NA em questões de serviço, motiva a comunicação e prestação de contas regulares a nível de toda a irmandade e promove a unidade de NA. No entanto, não acreditamos que a alocação de contribuições directas para propósitos específicos - quer para HI, IP, literatura ou traduções - permita à estrutura de serviço uma flexibilidade suficiente para coordenar efectivamente as responsabilidades a ela atribuídas.

As primeiras edições do manual de serviço da nossa irmandade recomendavam contribuições directas dos grupos para cada nível de serviço. Estes manuais sugeriam que, depois que um grupo pagou suas contas e reservou algum dinheiro extra para uso de emergência, "os recursos em excesso deveriam ser redireccionados para ajudar NA como um todo. Um grupo pode fazer isso através de contribuições aos comités de área ou regionais que servem ao grupo ou através de contribuições directas ao Escritório de Serviço Mundial de Narcóticos Anónimos".

Foi somente a partir de 1982, quando a Conferência de Serviço Mundial aprovou uma revisão das secções do manual de serviço sobre grupos, áreas e regiões, que os grupos foram encorajados a doar todos seus recursos excedentes ao comité de área. Os comités de área, por sua vez, doariam seus recursos excedentes à região, e o excedente da região fluiria para o mundial. Este era o plano de "fluxo de recursos" para custear os serviços de NA.

Com o passar dos anos, vários problemas foram percebidos em relação ao plano de "fluxo de recursos". Primeiro, os recursos muitas vezes não fluem; eles são frequentemente utilizados a níveis de área e regional, sobrando pouco ou nada para custear operações regionais ou da Conferência de Serviço Mundial. A nível regional, isto conduziu a uma dependência crescente dos lucros derivados das actividades de levantamento de recursos, tais como convenções, bailes, venda de material promocional e aumento do preço da literatura de NA, e a uma confiança decrescente no suporte do grupo. A nível mundial, isto criou uma situação em que temos um orçamento que não pode ser precisamente projectado, para fazer frente às necessidades de uma irmandade mundial cada vez maior.

Contribuições directas dos grupos a todos os níveis de serviço poderá fornecer uma base financeira mais estável para nossa estrutura de serviço. Cada grupo decidiria que proporção dos seus recursos excedentes contribuiria para o comité de sua área, comité de sua região e Conferência de Serviço Mundial. Seria assegurado a cada nível de serviço uma fonte de renda tão estável quanto a própria Irmandade de NA. Com essa estabilidade, os comités de serviço poderiam ser capazes de reduzir sua dependência nas actividades de levantamento de recursos para gerar receitas, estreitando, desse modo, seus laços directamente com os grupos de NA a que eles servem.

Certamente, se em determinado mês um comité de área descobriu que estão sobrando recursos, seria encorajado a doá-los directamente a outros níveis de serviço. O mesmo se aplicaria para os recursos excedentes dos comités regionais. Porém, se num comité de área ou regional os recursos sobram meses seguidos, provavelmente este iria querer informar o que está ocorrendo aos grupos a que serve, de modo que estes possam então ajustar suas contribuições. Isso manteria a integridade do sistema de contribuição directa, ao mesmo tempo em que permitiria flutuações periódicas do fluxo de caixa.

Contribuições directas do grupo reforçariam a autonomia dos grupos de NA. Cada grupo estabeleceria por si mesmo o quanto daria a cada parte da estrutura de serviço, baseando-se na sua própria avaliação da eficiência dessas partes em satisfazer as necessidades do grupo e as necessidades de NA como um todo. Nosso grupos criaram uma estrutura de serviço para melhor servir às suas necessidades colectivas de levar a mensagem e deveriam assumir a responsabilidade por isso e a autoridade sobre esta estrutura. Uma directriz de contribuição directa dos grupos poderá colocá-los em melhor posição para cumprir com suas responsabilidades e supri-los com uma melhor oportunidade para equilibrar financeiramente a estrutura de serviço.

Se os grupos estivessem custeando directamente cada nível de serviço, todos os corpos de serviço ficariam, desse modo, encorajados a se comunicar efectiva e directamente com eles. Isso permitiria aos grupos a máxima flexibilidade em decidir para onde seu dinheiro vai. Se os grupos não estiverem cientes do trabalho ou das necessidades de determinado corpo de serviço, seriam grandes as chances de que eles escolheriam não participar do custeio daquele corpo. O custeio directo também forneceria uma maneira para cada nível de serviço determinar o grau de apoio que recebe dos grupos. Se os recursos não estivessem entrando, os comités de serviço poderiam inferir uma dessas três hipóteses: os grupos não dispõem do dinheiro; não compreendem ou desconhecem os serviços que foram requisitados; ou não apoiam o trabalho que estava sendo realizado. Como se pode ver, o financiamento directo também proporcionaria aos grupos uma oportunidade maior de manifestar suas opiniões em questões de serviço.

Não estamos sugerindo que os grupos destinem contribuições para propósitos especiais. Os grupos não apenas criaram a estrutura de serviço para prestar serviços a seu favor, mas também para coordenar estes serviços. Ao delegar à estrutura de serviço a autoridade necessária para cumprir com suas responsabilidades, os grupos também delegaram a ela a autoridade para coordenar a alocação dos recursos de serviço, em cada nível de serviço.

Ao estudar as condições financeiras e meios de custeio empregados por várias outras irmandades, tornou-se óbvio que não somos os únicos a nos confrontarmos com falta de dinheiro em todos os níveis de serviço. As contribuições directas não são uma resposta mágica que irá nos aliviar de todas as preocupações financeiras. Nossa responsabilidade como membros de custear os serviços que requisitamos é um assunto que requer ampla discussão. Se realmente acreditamos que a solução para as nossas dificuldades financeiras se encontra na nossa condição de membro, então faz sentido colocar a responsabilidade e capacidade de equilibrar as finanças directamente nas mãos dos nossos grupos.

Estas recomendações têm o propósito de servir apenas como informação; não têm o intuito de ser um mandato do Quadro de Custódios do Serviço Mundial para a irmandade. Não estamos, neste momento, sugerindo a implantação imediata do plano de contribuições directas dos grupos, e sim que esta ideia faça parte da discussão referente ao financiamento dos nossos serviços, que nós, como uma irmandade, precisamos dar início. Acreditamos que um plano de contribuições directas poderia exercer um papel em nos auxiliar a produzir maior estabilidade financeira através de uma autonomia, responsabilidade e autoridade mais acentuadas dos grupos. Poderá também encorajar melhor a comunicação entre a estrutura de serviço e os grupos, fornecer meios mais directos de prestação de conta pelos serviços, e melhor promover a unidade de NA, da qual a nossa recuperação pessoal depende.

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